O nosso padre

Como vive o padre de nossa paróquia, o nosso padre? O que o levou a abraçar este caminho e esta missão? Na comemoração do Dia do Padre, 04 de agosto, memória de São João Maria Vianney, patrono dos padres, estas perguntas merecem nossa especial atenção. É uma vida fascinante e, ao mesmo tempo, profundamente humana.

Muitas vezes, nem sabemos bem compreender e explicar, mas ela está envolvida por um grande mistério: a eleição divina. Este é o único princípio válido de toda a vocação presbiteral: ela nasce de um diálogo de amor, que parte de Deus e que misericordiosamente se volta para nós e nos convida a “estar com Ele e para enviar a pregar” (Mc 3,14). A relação com Jesus Cristo, Servo e Pastor, será o suporte e a verdade para toda vida. Em seu nome faz uma entrega definitiva de si, mesmo sem saber o que o espera, simplesmente confiando-se à sua Palavra, como Pedro: “em atenção à tua palavra, vou lançar as redes” (Lc 5,5). Esta entrega é selada com a unção sacramental, com o óleo perfumado que no sacramento da ordem consagra para a missão. Traz consigo, portanto, algo que o ultrapassa, no qual está inserido, impossível de ser possuído e manipulado. É anunciador da Palavra, que a ele também ilumina; ministro dos sacramentos, dos quais também se sustenta; servo da comunidade, donde vem e para aonde é enviado como “servidor de Cristo e administrador dos mistérios de Deus” (1Cor 4,1). Renova, todos os dias, na celebração da eucaristia sua vida que se faz entrega, unindo-se à oferta de Cristo ao Pai.

Porém, o padre de nossa paróquia é uma pessoa humana. Sabe que carrega “esse tesouro em vasos de barro” (2Cor 4,7). Convive com as luzes e sombras do tempo em que vivemos.Cultiva, a partir da fé em Jesus Cristo, o desejo de uma sociedade fraterna e solidária, onde ninguém é descartado ou sobra. Não está humanamente pronto, mas compreende-se sempre a caminho, num cotidiano construir-se. Sonha, alegra-se, sofre e chora. Às vezes, sente-se tentado a desanimar. Sabe compreender com compaixão as fraquezas dos outros, porque também é necessitado de misericórdia e acolhida.Coloca-se num caminho de busca da santidade, porque sabe-se pecador. Embora não seja um funcionário que trabalha com hora marcada, também ele precisa de descanso e lazer. Como faz bem ao padre de nossa paróquia a companhia das famílias, sua amizade. Ele sabe que é enviado para estar no meio do povo e sente “a alegria de ser povo”, como nos diz o Papa Francisco. Afinal, partilha sua maior dignidade,o batismo, com todos os irmãos. As pessoas confiam a ele o que tem de mais sagrado em seu coração porque sabem que ele não é um homem de negócios, mas de ouvidos atentos, coração misericordioso e tem palavras de esperança. É o pai espiritual, que educa na fé e se alegra ao ver a semente lançada germinando e produzindo frutos nas famílias e comunidades.

Mas, talvez, uma das maiores grandezas do padre de nossa paróquia esteja no seu desprendimento. É livre. Pronto para partir para outra missão quando for solicitado. Sabe que outras pessoas, famílias e comunidades o esperam. Então, oferece-se, novamente, com gratuidade, alegria e humildade, sem muitos cálculos humanos. Confia na palavra do Senhor: “Vai! Eu estou contigo” (Ex 3,12).

Parabéns aos 28 padres diocesanos e 11 padres religiosos de nossa Diocese. Nós vos abraçamos!

Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta