Diálogo Espírita – E A VIDA CONTINUA

Na Revista Espírita de 1858, Kardec nos traz o seguinte relato:
Júlia de catorze anos desencarnou e a mãe desesperada procurou Kardec, que se reuniu com mãe e uma médium, resultando no seguinte diálogo:
A mãe: Espírito de Júlia, minha querida filha, peço-te que venhas, se Deus o permitir.
Júlia: Mamãe estou aqui! (por intermédio da médium)
A mãe: És tu, minha filha, que me respondes? Como posso saber que és tu?
Júlia: Lili. (Era o apelido familiar dado à moça em sua infância. Nem a médium sabia, nem eu, pois há muitos anos só a chamam Júlia. Com esse sinal, a identidade era evidente. Não podendo dominar sua emoção, a mãe rompeu em soluços.)
Júlia: Mãe, por que te afliges? Sou feliz, muito feliz. Não sofro mais e vejo-te sempre.
A mãe: Mas eu não te vejo¹ Onde estás?
Júlia: Aqui ao teu lado, com minha mão sobre a médium para que escreva o que te digo. Vê a minha letra. (A letra era realmente a da moça).
A mãe: Dizes: minha mão. Então tens corpo?
Júlia: Não tenho mais o corpo que tanto me fez sofrer. Mas tenho a sua aparência. Não estás contente porque não sofro mais e porque posso conversar contigo?
A mãe: Se eu te visse, te reconheceria, então?
Júlia: Sim, sem dúvida; e já me viste muitas vezes em teus sonhos.
A mãe: Com efeito, eu te revi em meus sonhos, mas pensei que fosse efeito da imaginação; uma lembrança.
Júlia: Não; sou eu mesma, que estou sempre contigo e te procuro consolar.
A mãe: Estás entre os anjos?
Júlia: Oh! Ainda não: não sou bastante perfeita.
A mãe: Como adquirirás estas qualidades que te faltam?
Júlia: Em novas existências que serão cada vez mais felizes.

Sociedade Espírita Raios de Luz de Tapera