Gratidão aos avós e idosos

Dia 26 de julho comemora-se o dia dos avós, tendo sido esta data escolhida em razão da memória de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo. Nossa palavra é de gratidão e reconhecimento, pois todos nós somos ou fomos marcados pela presença de nossos avós. Com as palavras do Eclesiástico, afirmamos: “Eles permanecem com seus descendentes; seus próprios netos são a sua melhor herança” (Eclo 44,11).Uma imagem apropriada para designar os idosos é a estação do outono. Se a primavera simboliza a infância e adolescência, quando a vida floresce; o verão, a idade adulta, com seus dias de sol pleno; a velhice é simbolizada pelas cores outonais, na alegria das colheitas. No “outono” da vida é tempo de contemplar o belo, com a coloração que a vida lhe deu.Talvez reduza o ritmo da produção, mas aprende a vivenciarcom mais profundidade a vida, os filhos, os netos. Quem aprende a viver o que é próprio de cada etapa, saberá enfrentar também o inverno, com suas provações.

A Sagrada Escritura diz: “Não me rejeites no tempo da velhice, não me abandones quando diminuem minhas forças” (Sl 71,9). Infelizmente, na cultura do descarte em que vivemos, os idosos são esquecidos e, até, desprezados. Muitas vezes, eles sobram. São vistos como um peso. Quantas vezes, sãodiminuídos por não conseguirem acompanhar a evolução de uma sociedade hiperconectada, que idealiza o ser sempre jovem. Faz-se necessário o sentido da gratidão e do apreço. Os idosos são felizes quando sua família vive unida e nela são respeitados. Quanta dor no coração dos pais e avós quando os filhos e netos vivem discórdias e brigam entre si por causa de herança.Os avós nos recordam sempre que a história não inicia com cada um que vem a este mundo, mas entramos no caminho que outros já trilharam. Sua memória deve permanecer sempre viva. Temos, hoje, dificuldade de ter esta memória histórica. “Uma família que não respeita nem cuida de seus avós, que são a sua memória viva, é uma família desintegrada; mas uma família que recorda é uma família com futuro” (Francisco, Amoris Laetitia, 193). Quando uma família ou sociedade não dá lugar aos idosos, insere nela “o vírus da morte, porque se separa das próprias raízes” (AmorisLaetitia, 193). Na história bíblica os idosos são o lugar da bênção e da Aliança de Deus para seu povo: Abraão, Sara, Moisés, Joaquim, Ana, Zacarias, Isabel… Além disso, eles são os encarregados de realizar a memória viva das ações divinas para seu povo: “Pergunta a teu pai e ele te ensinará, a teus avós e eles te dirão” (Dt 32,7).

O salmista canta: “Darão frutos mesmo no tempo da velhice” (Sl 92). Quanto bem fazem os avós! Em muitas famílias são eles que cuidam dos netos, enquanto os pais cumprem a jornada de trabalho. Continuam a ter uma grande missão na transmissão da fé. Se o tempo da vida adulta ativa era o da produção, o tempo do entardecer da vida é do desapego, da reconciliação e da unificação da existência. Suas palavras e conselhos já vêm temperados pelas provações e experiências da vida. Transmitem sabedoria.A velhice é o tempo de recapitular a existência e reuni-la sob o olhar da misericórdia. Por isso é o tempo do perdão. E quando a doença bate à porta, é momento de intensificar a vida espiritual, unindo-se ao sofrimento de Cristo na cruz, em benefício de toda a humanidade. Continuam, portanto, a exercer uma grande missão.

Bendizemos a Deus todas as iniciativas pastorais e comunitárias que valorizam os idosos no cuidado de sua saúde física, psíquica e espiritual. Parabéns a todos os avós. Deus os abençoe.

Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta