Fórum do Milho aponta os desafios da cadeia

O 4º Fórum Nacional do Milho, realizado na tarde desta segunda-feira (5), na Expodireto Cotrijal, revelou que a cadeia tem muitos desafios a vencer ainda, que dependem de intervenção governamental, mas também de uma interação maior entre os diversos segmentos.   O evento reuniu representantes dos produtores de milho e de sementes, avicultores, suinocultores e setor de máquinas e equipamentos, que apresentaram suas demandas ao secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Caio Rocha.

O secretário reforçou medidas que já estão em andamento para o socorro aos produtores da região sul atingidos pela seca, como venda de milho a balcão e renegociação de dívidas. A novidade é que o governo, atendendo demanda dos produtores e também do setor de máquinas, anunciou a inclusão do financiamento de máquinas e equipamentos agrícolas no Programa ABC. Com isso, o produtor poderá financiar equipamentos a juros de 5,5% ao ano, enquanto os demais programas até então disponíveis disponibilizavam o crédito a juros mais elevados (Moderfrota – 9,75% ao ano; Finame Rural PSI – 6,75% ao ano).

Para os presidentes da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Narciso Barison Neto, e da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, além do apoio governamental nesse momento de dificuldade, o produtor de milho precisa de estímulo para o aumento da produtividade, o que solucionaria parte dos problemas hoje existentes em algumas regiões, especialmente o sul. Segundo Barison, se ao invés dos 90 sacos/hectare de média alcançados na safra passada o Rio Grande do Sul conseguisse atingir o potencial real que as sementes hoje disponibilizadas no mercado têm – 250 sacos – o estado, hoje importador de milho, não só seria autossuficiente como também teria grão para exportar.

No segmento de suínos, a demanda principal é uma política governamental que garanta estoques de milho para ração a preço compatível com a sustentabilidade da atividade. Conforme o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, o milho representa 70% do custo da alimentação suína, por isso o impacto de uma quebra de safra como a ocorrida neste ano na Região Sul é muito grande.

Para o coordenador do fórum, Odacir Klein, ao permitir que cada segmento tivesse a oportunidade de expressar seus anseios, o evento contribuiu para que o governo tenha real noção do que precisa ser feito. Ele lembra que as medidas anunciadas pelo governo atende a uma demanda específica, mas muito ainda precisa ser feito para que os diversos segmentos dessa cadeia consigam se manter rentáveis.

Fonte: Expodireto Cotrijal